ATÉ QUE AS ÁGUAS SE AJOELHEM

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ATÉ QUE AS

ÁGUAS SE

AJOELHEM

Curadoria 

Leonardo Ramadinha

Artistas

Aline Nascimento, Andrea Portella, Angela Carvalho, Antônio Valente, Beth Machado, Cláudia Bokel, Cristina Hamelmann, Eliomar Santos, Evangelina Oliveira, Fabíola Xavier, Fatima Barros, Juliana Abdon, Marcela Werneck de Mello, Margot Rodriguez, Noni Levinson, Vilma Blondet e Zenóbio Gomes.

Até Que As Águas Se Ajoelhem

Existia um grande desafio no início: trazer para a fotografia a poesia do olhar.  Seria possível se fotografar da mesma maneira que se escreve poesia? E fazer poesia tal qual se fotografa? Essa foi a linha de partida.

Com toda reverência, adentramos ao universo de um dos maiores poetas brasileiros; Manoel de Barros. Durante quase um ano mergulhamos em suas miudezas grandiosas. Nos inspiramos na poesia. Sobre o nada, aprendemos muito. Reinventamos tudo e fotografamos. 

Ouvimos as cores das nuvens. Tiramos a poeira da vida.  Foi o vento que nos fez simples e pequeninos. Olhamos como crianças para vidas adultas.  Reviramos álbuns de família, mudamos o rumo da história e recriamos memórias.  Não foi fácil, mas conseguimos. Construimos coisas; "caixas-palácio" para guardar afetos.  Construimos mentiras de corar. Olhamos para aquilo que ninguém presta atenção, ou quase ninguém, talvez somente poetas, artistas e semi-doidos.  Nas miudezas perdidas do jardim, fizemos casas, mansões, castelos.  Nos tornamos rainhas e reis.  Nos perdemos em estradas retas da imaginação, nos encantamos com as curvas e nos encontramos nos desvios e nos desveres.  Fotografamos completos de vazios e assim tornamos grandes. 

Grandes, a partir da delicadeza do poeta que apanha um pouco de rio com as mãos e espreme nos vidros. Até que as águas se ajoelhem.   

Afinal onde mais pode existir um arco-íris de concreto se não na poesia?  
Na fotografia.

ARTISTAS | 2021