ARTISTA

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CLÁUDIA BOKEL

@claudiamariabokel

É professora da Faculdade de Educação da UFRJ e possui doutorado em Estudos da Linguagem. Em 2015, começou seus estudos em fotografia no Ateliê da Imagem, migrando para o Espaço Foto Contemporânea no ano seguinte. Atualmente, sSob orientação do Professor Leonardo Ramadinha vem desenvolvendo vários trabalhos tanto coletivos quanto individuais. Em 2018, a partir de um trabalho coletivo desenvolvido no Foto Lab com a temática do “sonho”, participou da Foto Urca com o fotolivro “Experiência Presente” e duas exposições em 2018 e 2019, a partir desse trabalho. Também participou de cursos sobre fotografia na PUC-Rio (2019) e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (2020).

ATÉ QUE AS ÁGUAS SE AJOELHEM | 2021

 

ELOS

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Pedi licença ao Bernardo

do Manoel de Barros

Para me embeirar de volta ao quintal

Quando comecei, percebi

Das minúcias que já estavam,

Que já tinha folha subindo como árvore

Veias verdes

De outros mins de antes

Subindo em árvore

Inventando tempos

Esquecendo quinas azuis das asas subindo

Frestas de pedras

Lábios de passarinhos

Nos azuis de tudo

Em volta dos rios de cantos

Outros silêncios e vozes

Fui seguindo minha invenção

Por onde não achava o que não estava lá

Fazendo sem-cerimônia

Àquilo que deixei no caminho

Com deferência menina gaiata

Perguntei

“Vó, passarinho põe pijaminha”?

“Trago comigo!”

ENTRE-LUGARES, TEMPOS | 2020

 

OUTRO ACONCHEGO

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Sai do teu caminho – rápido!

Mergulha nesse túnel em que cai, passarinho?

Não serão quarenta dias.

Não serão quarenta noites.

Tranca.

Respira. Não respira.

A casa não é essa.

Seus cantos, seus contornos não são esses.

Mergulha, afunda.

Entra, observa.

Não respira, não mexe.

Sem sentido seus cantos.

Que vultos são esses

Na sombra da casa que não é?

Sai pela janela pela escada pela rua.

O verde lá fora.

O azul lá fora.

O grito lá fora.

Aqui, sem acalanto.

A luz além dos cantos e frestas

Me atravessa

Sigo, salto, perigo.

Coração de pedra?

Mas asas!

Verde, azul

Luz que me atravessa.

Calor que me refaz

Pelos poros que respiro.

Maresia?

Aconchego és tu, casa!

Ando com meus olhos

Azul, verde, calor das asas.

Não há paredes.

Vastidão imensa acima de mim

Que me mantém.

Transforma.

Não és tu pássaro?

Anda além.

Respira!

IMAGENS